"E o que sentir quando a ausência de memória se compara à inutilidade do ser? E o que fazer quando já não se gosta do que se é e o desejo de não pensar em si próprio se torna a maior ambição quotidiana?" Ana Rute de Medeiros partiu destas duas questões para criar a série Um resto de chão, onze esculturas, onde a casa e a rua, seus espaços e tempos, surgem em confronto. A casa e seus objectos como refúgio pleno de memórias afectivas, mas também local de rotinas indignas de registo de vida que se deseje partilhar, de onde se foge para a solidão habitada da rua, só para se encontrar uma sensação de indiferença sobre si próprio e o peso consciente de inutilidade que é comparável à rotina quotidiana." |